Em Namor – As Profundezas o leitor é confrontado com algumas situações não muito usuais em quadrinhos lançados por aqui mas, com certeza, o que mais vai lhe chamar a atenção e – de certa forma chocar – é o desenho e a pintura.
Desenho e cores parecem disputar o espaço na revista, fazendo com que a arte sequencial fique entre o perfeccionismo em detalhes dos objetos e a semelhança com pintura em guache e telas. Em outros momentos os quadros parecem saídos de uma película cinematográfica da década de 70, com cores saturadas e granulação. É perturbadoramente bom.
A história começa de forma confusa. O autor usa muito a narrativa em primeira pessoa, firmado no tempo do protagonista (que não é o Namor), começa antecipando alguns fatos que serão reapresentados posteriormente e de súbito traz a história para seu tempo presente. Leva algumas páginas até o leitor se situar, principalmente porque as duas tramas apresentadas no início podem confundir.
A revista gira em torno de uma expedição submarina desaparecida e a busca pela mítica cidade de Atlântida. Peter Milligan, o autor, faz uso de diversas referências verídicas para dar volume ao roteiro e usa o medo do desconhecido para tornar os personagens mais reais.
São 125 páginas de imersão, oceano adentro, sem ação nenhuma. Tudo que o autor entrega são diálogos e discussões sobre misticismo e ciência.
O mérito maior da HQ é, sem duvida, o próprio Namor, porém seu uso na obra é de uma forma caracteristica de vilões e monstros – não que Namor seja um desses dois, necessariamente – de filmes dos anos 70 e 80. Ele é o vilão oculto.
A trama é desenvolvida para deixar o leitor cada vez mais tenso, esperando que algo seja visto, descoberto, que algo aconteça e… nada! Tememos por algo que simplesmente não vemos e isso é excelente. Namor – como “entidade” oculta – é tão presente nas páginas e na trama de cada personagem como se estivesse, de fato, em todos os quadros.
Namor – As Profundezas é um título para fãs de um bom roteiro de suspense – independente da ação. Altamente indicado para quem nunca ouviu falar de Namor OU acredita que o único defensor dos mares fosse o Aquaman.
Em ultima instância, indicado principalmente para aqueles que ainda possam ter algum preconceito com quadrinhos. Prepare-se para receber um chacoalhão da arte sequencial.
Originalmente publicado aqui em 2010, não é uma revista difícil de encontrar ainda. O preço de capa é R$22,90 mas não é raro encontrar lojas vendendo como Marvel Collection por preço de capa de R$59,90 então procurem bem.